top of page

ENCORAJANDO O MEU PAIS 1

1.      A exploração do ouro em Moçambique

 

Existe muito ouro em Moçambique.  Existem muitas empresas de exploração do ouro. Existem muitos garimpeiros, individualmente e em grupos, não registados, não reconhecidos, não protegidos e até sujeitos a muitas formas de extorsão, que se dedicam à escavação do ouro nas matas.


Maioritariamente jovens, estes garimpeiros constituem verdadeiros centros populacionais e económicos na mata, fora do controle, e sobretudo, fora da proteção municipal, onde a atividades econômica é intensa, incluindo o transporte de vai-e-vem de pessoas, comida, medicamentos, bebidas, equipamento e outras mercadorias.


Somos testemunhas de que existe uma forma conflituosa de gerir os garimpeiros, que os afasta cada vez mais de um estado que eles percebem ser opressor, explorador e carrasco.  A nossa perceção é que o garimpeiro é considerado criminoso, ilegal e perigoso, na forma como é abordado e tratado.


Quando se trata de acomodar os interesses de grandes investidores, é o próprio estado que se encarrega de intimidar e expulsar violentamente o pequeno garimpeiro, para dar lugar ao grande explorador, nacional ou estrangeiro.


Quando o polícia controlador do transito e da circulação de viaturas se apercebe que o garimpeiro tem uma pequena quantia de ouro para ir vender na cidade, invariavelmente vai exigir pagamento para poder passar; quando substâncias químicas são transportadas de um sítio a outro, a ausência de licença passa a ser forma de extorquir dinheiro para permitir a passagem.


Quando o governo decidiu em 2025 a suspensão da exploração de ouro na Província de Manica, todos nos conhecemos a saga que se seguiu.  Todos (ou muitos de) nós conhecemos as figuras residentes na em Chimoio e na Vila de Manica que levam a cabo a exploração de ouro e que se articulam com personalidades do Zimbabwe.

Todos nós seguimos os acontecimentos recentes de massacres de garimpeiros, acusados de serem Naparamas e Anamola!  Massacre que vai seguir sem punição e sem reconhecimento[1].  Isso já sabemos.


É uma situação caótica, porque

  • Estes garimpeiros trabalham no duro e sem proteção;

  • A venda de ouro por parte do jovem garimpeiro vira oportunidade de exploração, não só a caminho do guichê de venda, mas também no próprio guichê;

  • Estes garimpeiros não têm nenhuma espécie de registo e reconhecimento como trabalhadores, apesar de trabalharem nas condições mais duras e precárias imagináveis.


O que o estado pode fazer:

  1. Deixar de proteger os grandes empresários de exploração mineira utilizando forças de defesa e segurança, órgãos do estado, não são órgãos do governo.  Que eles contratem empresas de proteção segurança comerciais privadas;

  2. Reconhecer que o garimpeiro é um trabalhador honesto e facilitar-lhe o registo.  Deixar de o tratar como criminoso; Se não houvesse o garimpo, o governo teria muitos mais jovens a demonstrar protesto nas cidades; teria que confrontar muitas mais revoltas de uma população desempregada em franco crescimento;

  3. Instituir processos simplificados e financeiramente acessíveis para o garimpeiro se registar como tal, incluindo para a gestão autorizada de produtos químicos que ele compra nas escondidas;

  4. Educar o garimpeiro sobre os perigos ambientais e sanitários dos produtos químicos que utiliza;

  5. Educando, o estado mostra uma atitude amiga que encoraja o garimpeiro a não esconder os seus produtos químicos e explosivos.  Este é o diálogo nacional verdadeiro: educar, facilitar.


Este é um espaço onde o estado pode estabelecer um verdadeiro diálogo nacional:  acarinhar o jovem que se desembrulha nas matas, facilitando e aligeirando o seu registo, educando-o sobre os perigos dos explosivos e produtos químicos que ele manuseia, e estabelecendo balcões de compra uniformizados nas delegacias do banco central.


Ora

O que impede o estado de canalizar o ouro que se extrai no país para uma reserva nacional no banco central?  Medo de desvio?  Que o nosso superintendente Fundo Monetário Internacional não aprove?  Estas seriam as duas únicas explicações que podemos imaginar. Achamos que esta é uma oportunidade que o estado desperdiça.  De se apoderar das suas próprias riquezas.   


Esta é também forma concreta de fazer avançar o verdadeiro diálogo nacional:  Fazer com que as riquezas naturais fiquem no país para melhor responder as nossas necessidades, em vez de deixar que o ouro seja escoado através do Zimbabwe para Dubai e outros destinos estrangeiros!


A menos que se tema que na realidade o ouro não tenha segurança no banco central, a semelhança do Fundo Soberano[2].  Aonde vai ter então?



 
 
 

Comments

Rated 0 out of 5 stars.
No ratings yet

Add a rating
bottom of page