ENCORAJANDO O MEU PAIS 6
- canhandula
- Jan 12
- 2 min read
ENCORAJANDO O MEU PAÍS 6
1. Portagem ou burla?
As portagens em Moçambique não existiam no tempo colonial. Sobretudo porque os serviços municipais eram rudimentares e a administração não era muito sofisticada.
Portagem: a portagem é uma barreira na estrada que serve para forçar a cobrança de taxa pelo uso da (auto)estrada, ponte e outras vias públicas, taxa essa que se aplica na manutenção e melhoria contínua dessas infraestruturas. Essa taxa cobre também custos operacionais e pagamento às empresas concessionárias responsáveis pela manutenção, afim de assegurar que o utente continue a usufruir de vias de qualidade.
A portagem pode permitir recuperar o dinheiro investido para a construção e/ou as obras da infraestrutura, para alem de financiar a sua manutenção.
Esta teoria toda, aceitável na sua lógica, embate-se contra a realidade em Moçambique, particularmente na nossa cidade de Tete. A população a um momento se manifestou contra as portagens. Havia uma mensagem séria nestas manifestações[1].
A cítica: não há melhoramento das estradas portadas, nem da ponte da cidade. E a arrecadação está totalmente desnudada de carácter social. Em condições imaginativas, o que impede ao estado de decidir que a portagem não é cobrada todo o tempo? Inércia. Existem períodos de ponta na entrada ao serviço, onde a fila de viaturas é tal que leva quarenta minutos para sair do VIP da Matema para atravessar a ponte. Quem devia entrar no serviço as 08H00 acaba por chegar cerca de 09H00.
Sugestão: Abrir a portagem e deixar de exigir pagamento entre as 06H00 e as 08H00 encorajaria o funcionário a chegar cedo ao serviço. Seria um incentivo para tal. Claro que muitos utentes se aproveitariam desta situação para atravessar o mais cedo possível simplesmente para evitar de pagar. Mas esse seria um mal menor, porque existe a toda a hora necessidade de atravessar. Portanto existe sempre oportunidade de arrecadação da renda.
Não podemos estar contra a arrecadação de receitas para a manutenção das infraestruturas que utilizamos. Contudo, essa manutenção deve ser visível e corresponder à assiduidade com que se recolhe o imposto. Porque chega a altura em que o povo começa a apegar-se a pequenos rumores de que a arrecadação destas taxas vai diretamente beneficiar o bolso de alguém em Maputo. Porquê tanta concentração em Maputo se não há verdade por detrás desses rumores? E porque é que os rumores persistem de ano em ano?
Falta de descentralização. Medo de descentralização, medo de perder o poder.
Em resumo, esta lucubração tem o objetivo de propor:
Descentralizar a recolha de receitas para as Províncias, os Distritos e os Municípios.
Explicar e demonstrar ao povo como são utilizadas as receitas. E
Mostrar na prática a melhoria das vias.
Exercer flexibilidade na recolha das receitas.
Assim se melhora o diálogo entre o povo e o seu estado. Lembre-se que o povo também inclui o funcionário e a classe média urbana possuidora de viatura, mesmo que seja de segunda mão.
Mais uma vez, a portagem é a forma física e concreta da qualidade do diálogo nacional.
[1] https://www.dw.com/pt-002/portagens-s%C3%A3o-esquema-de-corrup%C3%A7%C3%A3o-para-roubar-o-povo-mo%C3%A7ambicano/a-60570491




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